Crise Econômica Brasileira durante a pandemia COVID19

É PRECISO INTERPRETAR, PLANEJAR VENCER


O país já enfrenta mais de 60 dias de contingenciamento. A estrutura e capacidade econômica da maior parte de nossa população se esgotou, a população está impaciente, deixando aos poucos de seguir novas ordens de isolamento, enquanto isso governadores e prefeitos detém a autonomia e responsabilidade sob sua jurisdição.

Os governantes deverão flexibilizar as regras impostas, mesmo porque esse é o desejo do Planalto Central.

Não existe uma estratégia unificada para o retorno das atividades, que seguirá sem bases cientificas ou qualquer planejamento. Pela característica e estrutura do país a grande massa populacional não tem possibilidade de aguentar alongamentos da contingência. As classes C e D já estavam em contingenciamento de emprego e agora se agrava por falta de reserva financeira que permitiria a sobrevivência no isolamento necessário. Vínhamos com mais de 12 milhões de desempregados e cerca de 5 milhões fora da estatística por não estarem buscando emprego, o auxílio de R$ 600,00 oferecido pelo governo não mantém a população em casa.

Haverá importante perda de capacidade de consumo interno e a recuperação depende de investimentos privados, onde a credibilidade do governo tem peso, mas que atualmente está em queda prejudicial. Não foram reduzidos os gastos públicos e recorremos ao aumento elevado e perigoso da dívida pública interna, com queda do PIB. Os estados e municípios foram socorridos pelo governo federal também sem redução das despesas. É um desastre cuja sociedade privada pagará, e o governo ainda poderá recorrer a capital externo.

Para se ter uma ideia o Brasil detém cerca de 110 milhões de trabalhadores sendo que apenas 50 milhões recolhem INSS, o que contribui para déficit da previdência. O governo está dispondo de fundos para financiamentos aos micros e pequenos empresários, contudo os bancos é quem serão intermediários e responsáveis pelo risco. O alcance dessas medidas não será suficiente. Temos mais de 40 milhões de CPFs com restritivos e alto volume de empresários que atuam de forma irregular.

As micro, pequenas e médias empresas serão as mais afetadas, porém são as que detém maior peso na retomada dos empregos, e assim o mês de junho será marcado pela retomada gradual da economia ainda sob riscos de descontrole dos infectados, com “idas e vindas”. A perspectiva é incerta e uma solução será pela natureza ou pelo aparecimento da cura.

As atividades de maior exposição como shoppings, espaço para eventos, restaurantes, bares, entre outros negócios, terão prazo maior para retorno, provavelmente em meados em junho. O setor de construção civil, em sua maior parte, se manteve a margem do contingenciamento, esse será o setor prioritário na retomada pela rápida resposta na geração de empregos, principalmente devido as obras estruturais para o país.

Em geral, os administradores demoram para adotar ações de enfrentamento de crise e acabam por assistir a própria deterioração, um erro, pois o mercado logo interpreta a informação “fechando as portas”, deixando de promover atividades e encurtando a sobrevida dos negócios.

“Em geral, os administradores demoram para adotar ações de enfrentamento de crise e acabam por assistir a deterioração da organização........ deixando de promover atividades e encurtando a sobrevida dos negócios”

Muitas vezes os recursos para recuperar os negócios podem estar presentes na própria empresa, mas, é preciso conhecimento, planejamento e profissionalismo para interpretá-los, normalmente a falta de mecanismos de controle prejudica a visualização de pontos importantes para criação da estratégia de recuperação.

Planejamento envolve fatores diversos que não aprendemos em instituições, mas pela experiência e acúmulo de expertises vivenciados em diferentes empresas e setores. Analisar orçamento futuro com ajustes severos de custos, adequados a queda de vendas, é imprescindível para entender a capacidade de absorver as perdas impostas pela pandemia, assim podemos definir estratégia de ajustes com fornecedores, credores financeiros, clientes e política de preços para ganhar mercado diante da fragilização de demais empresas.

Pós pandemia será tão difícil quanto o enfrentamento atual e a recuperação será lenta e demorada. É chegado o tempo de mudanças e estratégia de recuperação, pois ainda teremos que viver com a COVID19 durante todo o ano de 2020, já que a organização social e política do país é instável e sem liderança, o que acarretará perdas substanciais.


Especialista em

Por JEAN CROUZILLARD

Especialista em estratégia empresarial, patrimonial e crise.


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